Imagem: HBO / DC Studios via TMDB
No último episódio, o John Stewart afoga o Sinestro pra arrancar a verdade, deixa livre quem matou o Hal e se declara Lanterna por conta própria. A crítica chamou de graça heroica. Pra gente, o final desperdiçou a própria pergunta da temporada, e a gente explica por quê.
Aviso: este texto conta o final da temporada.
No último episódio de Lanterns, o herói acorrenta o vilão e afunda a cabeça dele na água até ele falar. É o John Stewart, o Lanterna Verde da série, arrancando a verdade do Sinestro. E a crítica americana saiu do episódio aplaudindo.
Lanterns é a série da HBO no universo do James Gunn, com o Aaron Pierre como John Stewart e o Kyle Chandler como Hal Jordan, e fechou a temporada no domingo, 4 de outubro. Na semana passada o canal mostrou que ela já tinha feito quase tudo que o Snyder ouviu por dez anos que herói não faz, em Lanterns fez tudo que condenou o Snyder.
O final foi além. Depois do afogamento, que o Collider descreve como waterboarding e o Nerdist chama de sessão longa de tortura, o John descobre quem matou o Hal: a xerife Kerry, vivida pela Kelly Macdonald. E deixa ela livre, porque era o que o Hal ia querer. Depois rompe com os Guardiões, os chefes da Tropa, e se declara o Lanterna da Terra por conta própria. O Chris Mundy, que comanda a série, disse à Entertainment Weekly que o John está, mais ou menos, chantageando os Guardiões. Uniforme, nada. E o anel, segundo a IndieWire, fica quase de enfeite.
E a crítica? O Den of Geek resumiu como muito drama, pouco super-herói, e melhor assim. O AV Club escolheu a expressão graça heroica. O Nerdist achou que a série acertou o pouso e notou que a cena do afogamento deixa o John moralmente bem mais cinzento do que o normal.
Na audiência, a série vai bem. Segundo a Variety, até o sétimo episódio a média passava de 12 milhões de espectadores por episódio nos Estados Unidos e chegava perto de 19 milhões no mundo, no nível de It: Bem-vindos a Derry, que foi renovada. Fica abaixo de The Penguin, a última série da DC na HBO, que fechou acima de 27 milhões.
Só que a renovação não veio. O Gunn chamou o episódio de final de temporada, e a decisão agora cai no colo da Skydance, a empresa que nasceu da compra da Warner. O Mundy falou como quem já fez as pazes com qualquer resposta.
Se tiver mais, ótimo. E se não tiver, a gente teve o nosso dia.
Chris Mundy, showrunner de Lanterns, à Entertainment Weekly, 04/10/2026
Por que o final não convenceu a gente
Primeiro, o que a gente não vai fazer: reclamar que o herói foi longe demais. Quem defende o Batman que marca bandido a ferro em Batman vs Superman não tem moral pra torcer o nariz pra um John Stewart que perde a linha. Herói sujo pode, e às vezes é o que deixa a história boa. O problema do final de Lanterns é outro.
A temporada inteira foi construída em cima de uma pergunta: quem matou o Hal Jordan. E aí, no mesmo episódio, a resposta aparece e vai embora. A assassina é revelada e sai andando livre, sem acerto de contas, sem o confronto que oito episódios prometeram. A justificativa é que era o que o Hal ia querer. Pode até ser bonito no papel, só que na tela fica parecendo que a série descobriu o próprio clímax e desistiu dele.
Depois vem o anel. Numa série chamada Lanterns, o John termina se declarando Lanterna na marra, chantageando os Guardiões, sem uniforme, com o anel quase de enfeite, como a própria IndieWire notou. O Den of Geek elogiou o muito drama e pouco super-herói. Pra gente, é exatamente aí que dói. Lanterna Verde é Tropa, é cosmos, é força de vontade virando luz. A série passou oito episódios guardando isso na gaveta e fechou com a gaveta ainda fechada.
E tem a comparação que importa, sem hipocrisia. Quando o Superman mata o Zod em O Homem de Aço, o filme para tudo. Ele grita, desaba, e essa escolha vira o peso que ele carrega até Batman vs Superman, com o mundo inteiro questionando quem ele é. A escuridão no Snyder custa caro pro herói. No final de Lanterns, o afogamento do Sinestro vira degrau pra próxima cena, e o que isso custa pro John fica pra uma segunda temporada que ninguém garantiu. Escuridão sem consequência é só estética.
Nada disso apaga o que a série fez bem. A audiência é boa, o Aaron Pierre segura o papel, e se a renovação vier, a gente vai assistir. Só que fica a pergunta que o fã do Snyder faz desde 2013, agora com mais força. Se afogar o vilão sem pagar preço nenhum virou graça heroica, por que o Superman quebrar o pescoço do Zod, pagando o preço inteiro na frente da gente, foi tratado como o fim do mundo?
Fontes
- Collider: o final de Lanterns abre uma era nova pro DCU, Carly Lane (04/10/2026)
- Nerdist: o final de Lanterns quase acerta o pouso, Eric Diaz (04/10/2026)
- AV Club: Lanterns cumpre a missão com graça heroica, Dennis Perkins (04/10/2026)
- Den of Geek: crítica do episódio 8 de Lanterns, Joe George (04/10/2026)
- IndieWire: crítica do final de Lanterns, Ben Travers (04/10/2026)
- Entertainment Weekly: o showrunner de Lanterns responde as perguntas do final, Nick Romano (04/10/2026)
- Variety: episódio 7 de Lanterns chega a 7 milhões de espectadores nos EUA e a média global passa de 18 milhões, Selome Hailu (01/10/2026)
- Yahoo Entertainment (ComingSoon): Gunn confirma final de temporada de Lanterns, sem renovação da HBO (29/09/2026)
- Collider: Mark Waid e a raiva com o final de O Homem de Aço, com o texto dele no Thrillbent (18/06/2013)
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